terça-feira, janeiro 03, 2006

SaxBlueJazz



O rumo dos nossos passos levava-nos de uma forma consciente até à Catedral.

Um emaranhado de ruas, de becos, de esquinas.
A romper o cinzento do dia, notas de música coloridas caminhavam na nossa direcção, ou seria o contrário.

À porta de uma casa um músico deliciava os que se deixavam deliciar.
A brilhar feito estrela o saxofone, gemia músicas cheias de nós. Sons, velados, íntimos, sensuais, de fraseados ágeis e de harpejos velozes.
“Um som redondo”, como quando me dizes “meu amor”. “Um som intenso”, quando te chamo “querido”. “Um som metálico” igual ao frio de quando nos separamos. Ou ainda “um som ressoante” dos nossos beijos feitos melodias, ou do roçar do meu vestido no teu fato, quando dançamos.

Cheia de ti a minha história a palmilhar dias, a calcorrear meses, a vaguear por entre anos passados, perdida de mim, ou a voar tempos futuros.

De momento voo baixinho ao som de Charlie Parker, com uma magnólia no cabelo à Billie Holiday.
Nesta fotografia vai o meu amor em forma de jazz, para ti “Bird” e por onde andarmos as Catedrais poderão ser caminho ou casa.

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