sexta-feira, dezembro 30, 2005

Banheira Barco


Olha tu no teu sotão a olhar para o céu e a pensar no mar.
É um mar de luz que te invade.
Pegas numa lanterna, que te guiará.
Levas um triciclo, não vás dar a terra.
Levas um sofá porque pode aparecer alguém para tomar um chá.
Levas uma guitarra para encantar sereias.
Levas sabonete para fazer bolinhas.
Levas uma bússola desnorteada, um mapa virado do avesso, e óculo sem lente.
Queria embarcar contigo lá para a lua nova, que está mais fresquinha.

quinta-feira, dezembro 29, 2005

Veludo púrpura




Pétala a pétala fiz a nossa cama.
Veludo púrpura de perfume intenso.
Boca, mãos, vulva numa mistura de "fogo que arde"... e bem se sente.
Poderiam também ser lágrimas de sangue, porque por vezes quando chegam ao olhos vêm do coração.
Também podiam ser partes de uma ópera.

quarta-feira, dezembro 28, 2005

De cor são as lágrimas?



De que cor são as lágrimas?
De que cor é o brilho quando te beijo?
De que cor são as gargalhadas?
De que cor é o vento?
De que cor são as nuvens?
De que cor é o amor?
Gosto de te amar a cores e a preto e branco!

| rota da seda |



"Dessa pele de seda,
sei a rota da sede,
guiado pela constelação fulgurante do teu suor feito estrelas.
Traço, beijo a beijo,nas dunas do teu corpo,
o trilho lento e sinuoso das caravanas rumo a um oásis recôndito,
onde se espreguiça o prazer das tâmaras.”

| rota da seda | II


Vou atar o meu cabelo esta noite e pintar-me de branco.
Chega-me um vento do Oriente que te devolvo.
O meu kimono desagua no chão com uma forma que não decifro.
Refresco-te com esvoaçar de um leque.
Se me agarrares serei a tua gueixa e as tuas feridas desaparecerão com beijos.
Do Oriente este desejo que nem sei se é grande, se é enorme, se é tanto.
Do Oriente este eu que se transforma e se desfaz e renasce todos os dias de te amar tanto.
Do Oriente esta canção embalada num abraço a enxugar todo o meu pranto.

Fotografia de Vladimir Clavijo

Fotografia de Vladimir Clavijo

Vladimir Clavijo

Vladimir Clavijo

quinta-feira, dezembro 22, 2005

Mesmo agora


Mesmo agora
recordo o meu corpo
a extravasar no teu
e o teu sexo
dentro do meu
a fazer ternura.

Luz
Luz difusa.
Luz intensa.
Luz luzente.

Luz de sol.
Luz de lua.
Luz das estrelas.
Luz brilhante.

Luz de um sorriso.
Luz dos teus olhos.
Luz dos meus olhos nos teus.
Luz no meu corpo.
Luz no teu corpo.
Luz de amor.

Luz de saber.
Luz de verdade.
Luz de fogo.
Luz de velas.
Luz de querer luz.

LUZ…
Está palavra ilumina-me!


Barroco este amor


Guardo a forma furtiva como entras no meu quarto.
Guardo o doce dos teus beijos no decote do meu fato.
Guardo os gestos meigos com que me despes.
Guardo o teu desejo.
Guardo a música que tocas no cravo e as tuas mãos cravadas nas minhas costas.
Guardo a luz da vela a dançar na tua cara.
Guardo os nossos braços enleados em forma de volutas
Guardo ainda as nossas coxas cruzadas, enroladas

e o meu sexo concheado à espera de ti.

Barroco este amor, cheio e libertino

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Sombras projectadas




Cruzamento de linhas,cruzamento de vidas.Perspectivas oblíquas,sentimentos paralelos.Diversidade de texturas e de afectos.Jogo de luz e sombra.Redimensionar espaços e vida.Coisas de arquitectos do sentir
inter-seccionadas com problemáticas de arte com história e da vida com futuro!Direi mesmo que tudo isto é sustentável……

Pássaro da Noite












Habitas o meu coração
pássaro da noite,
luz do meu dia.
O ritmo do teu bater de asas
faz a música que dança no meu coração.

Penas de um coração

(fotografia de António Delicado)






Ontem o tempo estava noutro tempo.
A sala vazia que se enchia lentamente.
A tua mão na minha lentamente.
O teu beijo na minha nuca lentamente.
Suspensos nas áreas,
encantados com o jogo de sombras,
voei a teu lado,
para outro século.
E a minha mão ficou suspensa,
esperando um sopro musicado de uma canção.

Tangos Sentidos

(fotografia de João Martins Pereira)
O Altar de Gardelito
Mão trémula e passo incerto, voz roufenha e rumo errante, Gardelito viaja pelo seu mundo interior.
O Mestre, já maltratado pelos elementos, pregado na parede, tão alto que não se consegue encarar sem levantar os olhos.
A viola no chão e o charuto, intocado na sua capa de celofane, na mão, a marcar o quadro e o gesto tanguero.
Discreta e reverentemente afastado, é o próprio Gardelito que se fixa à parede, dado à estampa proteña em recortes antigos.
Como talvez Flaubert se lembrasse de dizer nalguma improvável letra de milonga vadia: Gardelito soy yo !

João Martins Pereira


Tango “Margot”

Vem dançar comigo Gardelito
Um amor contrariado,
Um entrelaçar de pernas,
num tango apertado.
Agarra-me como uma viola,
Laça-me a cintura,
E faz-me rodopiar.
Desafia-me o equilíbrio,
Neste tangazo argentino.
Fatal, o teu olhar

e mis “…ojos se cerraron”,
debaixo do teu chapéu
quando me prendes um beijo.
Põe essa pose que me mata
Cola-me a ti, “mano a mano”
Por “las calles” da nossa Buenos Aires,
Vôo até Paris num instante.

Gardelito,
"
Mi Noche Triste"
es la noche sem ti!

“Ya no hay en el bulin aquellos lindos frasquitos adornados con moñitos todos de un mismo color, y el espejo esta empañado, si parece que ha llorado por la ausencia de tu amor”


Margarida

Blue Véu

Desconcerta-me a ausência do teu corpo.
Se me fizesses gemer até ficar afónica,
dava-te uma amor tónico, quente e expandido como o poliuretano.
Devolvo-te a minha imagem desfocada de tanta miopía.

A love


A sweet love
A strong love
A strange love
A lost love
Love a lot
Lot a love
into to my body
into my heart
with a sound of a typpewritter.

FUMO


Pego na palavra pele e desfaz-se na minha mão.
Solto a palavra beijo e voa soprada pelo vento.
Agarro a palavra amor e esfuma-se no fio do horizonte.
Abraço a palavra ternura e ela escorrega-me pelos braços.
Sublinho a palavra ausência e fica um vazio no estômago.
Construo a palavra laços e desatam-se no ar.
Escrevo a palavra tu e ela não rima comigo.
Desenho a palavra nós e desata-se na tela branca.
Componho a palavra beleza e sai-me música.
Pinto a palavra melodia e surge-me o teu olhar.
Acarinho a palavra poesia e saem-me letras desrimadas.
Se tudo foi leve pedaço bom de vida,

silvo de nortada fresca,
sumo doce de fruta,
sal de corpo na minha língua
então valeu!
Ficou esta impressão digital esfumada,
e os dias que me sobram para recordar
No vagar dos meus dias que me vão sobrando.

Se tudo fosse lágrima contida,
Se tudo fosse um roçar de beijo,
Se tudo fosse um gesto simples de afago,
Um tocar e um partir, seria mais fácil.
A nossa história tem a beleza dos barcos no horizonte
Linha ao longe do nosso olhar.
Tem risos, gargalhadas e mãos que se desenham uma na outra.
Ficaste aqui a ganhar casa no meu coração.
Gosto de te amar.